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Cracolândia não é problema político

Cracolândia é problema antigo
A existência da cracolândia no coração da cidade de São Paulo é há anos um problema grave que nenhum governante, municipal e estadual, teve a ousadia de enfrentar com a seriedade que ele exige. Uns preferiram fechar os olhos; outros, adotar medidas cosméticas. Nenhum até agora teve coragem de encarar este mal sem poupar esforços para derrotá-lo. Nenhum! E saibam que pela prefeitura da cidade e governo do estado, nos últimos anos, já passaram engenheiros, economistas, administradores e até médico. A justificativa para esta inoperância talvez esteja na resposta da seguinte pergunta: Retirar os drogados daquele pedaço da cidade renderá votos? O Linha de Pipa arrisca um palpite: "Poucos, possivelmente apenas dos comerciantes e moradores da região". Se a resposta estiver correta, e deve estar, então não vale à pena - segundo o "manual jamais escrito do político brasileiro" - botar a mão naquele vespeiro. Mas a "urna" não pode ser a razão para nenhum governante largar à própria sorte aqueles brasileiros da cracolândia, "gueto" sujo e nojento criado pelo descaso bem no centro da cidade. Não pode, mas é!

Ação capenga
De repente, dia qualquer desta semana, os paulistanos acordam e recebem na cara a notícia de que a polícia "invadiu" a cracolândia e expulsou os drogados que ocupavam o lugar. Todos eles, bastante assustados, sairam vagando sem rumo pelas ruas do centro velho de São Paulo. A ação repentina da PM causou estranheza, sobretudo dentre os especialistas que há tempos lidam com este problema. Não consideraram nada positiva a ação do Estado que, na opinião deles, deveria ser acompanhada de outras, que dessem a devida e necessária assistência aos viciados expulsos da cracolândia. As autoridades dizem que estas "outras medidas" estarão em pleno funcionamento dentro de 30 dias. Se é fato, então porque a PM foi acionada agora? A burocracia explica uma vez; explica outra; e mais uma; e não convence ninguém.  

Olha o Governo Federal aí gente!!!
Hoje, na edição da Folha de S. Paulo que está nas bancas, há uma explicação inteiramente plausível, muito embora o governador Geraldo Alckmin e o Prefeito Gilberto Kassab jamais venham a público confirmá-la  Segundo o jornal, a ação apressada desenvolvida na cracolândia foi motivada pelo temor de que o Governo Federal, que há tempos mostra-se preocupado com o avanço do crack, pudesse intervir na cracolândia com alguns de seus programas sociais. E se tal viesse a ocorrer, o governador e prefeito temiam ficar com a pecha de inoperantes. Se a tese for verdadeira - e este blog acha que é - a atitude dos dois mandatários paulistas é rídicula. De provocar risos, gargalhadas de rolar pelo chão. Além do que um grave desrespeito para com todos os cidadãos que vivem no Estado. Para fazer o que fizeram e da forma como fizeram, era bem melhor que Alckmin e Kassab não tivessem feito nada. Absolutamente nada! Se a intenção verdadeira de ambos fosse buscar uma solução para o problema, que é humanitário, a política deveria ser posta de lado, ao menos nesse caso, e somar forças com o governo federal para que os três agissem de maneira planejada e uniforme. Sem dispersar esforços e recursos. Mas os políticos desse país não mudam. Infelizmente, nenhum deles enxerga um palmo além do próprio nariz.

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