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Os blocos de rua é que fazem o carnaval popular

O carnaval de Escolas de Samba e Trios Elétricos se transformou em ação de marketing, principalmente envolvendo as indústrias cervejeiras, que pagam verdadeiras fortunas pelos melhores espaços nas passarelas do samba. Só no "Sambodromo" do Rio três marcas competem pelos famosos em seus "camarotes": Brahma, Devassa e Cintra. Na Bahia ainda pode se acrescentar a marca Schin. Não é preciso dizer que no meio do caminho de todo esse profissionalismo perdeu-se, há muito, a esponteneidade dos foliões e, com isso, a graça do espetáculo. Virou festa para turista estrangeiro, tal como a Disneylandia para os turistas brasileiros. E argentinos também! O que vale agora são carros alegóricos sofisticados e passistas luxuosamente fantasiados. E o samba? É verdade, a bateria não deve ser esquecida, mas o seu papel na festa é secundário. É apenas molho de agitação. Na Bahia é um absurdo o que fizeram com os ex-populares trios elétricos. Hoje, para seguí-los, o folião tem de comprar, a peso de ouro, um tal de abada e pular confinado entre cordas e milhares de segurança. Tanto no Rio como na Bahia, o carnaval se transformou em festa de abastados. É por isso que vejo com alegria carnavalesca a volta triunfante dos blocos de rua. E o que é mais interessante, em todas as cidades do Brasil. Os blocos sim são populares e, mais que isso, democráticos. Não é preciso fantasiar-se com luxo e muito menos pagar para desfilar. O único requisito é alegria e o "alegre" folião pode ser rico, pobre ou remediado, branco, preto, amarelo ou vermelho, hetero ou gay, são ou salvo, da 3ª ou tenra idade.  Não importa, o que vale é seguir o bloco com alegria estampada na cara e paz, muita paz no coração.   

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