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Samba de uma nota só!

Confesso que não desperdiço meu "preciso" tempo diante da tevê para assistir aos desfiles de Escolas de Samba e muito menos após, quando acontece a apuração que elege a vencedora. Dentre os que assistem, há uma parcela significativa que só quer ver os "famosos com pouca roupa" e, na apuração, as discussões motivadas pelas notas dos jurados. Jamais ouvi da audiência cometários relativos ao enredo, fantasias e letra do samba. Ouço sim: olha os peitos daquela gostosa; meu, que bundão! Se eu fosse esse tamborim... E por ai vai! De qualquer forma, tanto no Rio como em São Paulo e até na Bahia, o espetáculo está cada vez mais organizado e bem feito. Tanto que se transformou numa importante ferramenta de marketing para várias empresas. Por isso, corre muita, mas muita grana. Em assim sendo, o evento tem a obrigação de ser o mais profissional possível. E as Escolas de Samba estão chegando lá. Mas mesmo que cheguem, não vão me fisgar. Mas essa é outra história. A que vou contar aconteceu ontem, no Sambódromo, durante o processo de apuração. E não tem nada a ver com marketing, organização ou profissionalismo. Ao contrário! Alguns desordeiros, que se confessaram descontentes com o encaminhamento dos resultados, simplesmente pularam as barreiras de proteção, ameaçaram os apuradores e rasgaram as papeletas com as notas dos jurados. A polícia entrou em ação e os prendeu, mas não conseguiu impedir que outros ateassem fogo nos carros alegóricos ainda estacionados próximos á passarela do samba. Com os ânimos já serenados, descobriu-se que o indivíduo que avançou sobre a mesa apuradora é velho conhecido "dus home" e vez ou outra puxa um tempo nos presídios do Estado. Um cara desses não poderia estar num lugar como aquele. De qualquer forma, o tumulto empanou o brilho da festa. E como disse a presidente da Escola de Samba Mocidade Alegre, sagrada campeã depois de 6 horas do horário previsto, a "bagunça" não é do samba, denigre a imagem das Escolas de Samba de São Paulo e, obviamente, também do Estado de São Paulo. Ocorrências deste tipo, vale lembrar, afastam o público e também as empresas interessadas em patrocinar o evento, as escolas etc. Isso nada tem a ver com marketing e muito menos com profissionalismo. A São Paulo Turis e a Liga das Escolas de Samba devem juntas descobrir como recuperar os passos que ontem, infelizmente, deram para trás!   

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