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OPORTUNISMO EM HORA E LOCAL INDEVIDOS

O governador Sérgio Cabral Filho, do Rio de Janeiro, não raro, deveria guardar para si as suas percepções ou, então, em função do tema, buscar o momento e o lugar mais adequados para expressá-las. Do contrário, o que fala se transforma em oportunismo político. Hoje, durante missa na Igreja da Candelaria, encomendada por familiares e amigos dos "desaparecidos" do Airbus-330, voo Air France 447, que caiu no Atlântico, ele, baseado no achismo, responsabilizou a companhia aérea e a fabricante do avião pelo acidente. "Isso não é uma tragédia natural. Não há uma explicação que não seja por uma falha técnica muito grave", disse ele ao Terra. Não tenho dúvidas que esta manifestação pública deve ter agradado parte dos presentes, pois muito buscam "responsáveis" para aliviarem a dor que, todos sabem, é difícil de suportar. Mas não será "caçando bruxas", estimulados por quem quer que seja, que se conseguirá este tão "buscado" bálsamo. O bom senso manda esperar que mais evidências sejam encontradas para que os especialistas, baseados em dados técnicos, possam formar o veredicto. Depois dele, dependendo para onde apontar, os familiares poderão buscar o melhor caminho para serem "reparados" pelos danos que sofreram. Se é que isto é possível! Quanto ao governador, a sua presença ao evento já era uma demonstração importante de solidariedade; suas palavras, no entanto, a transformaram em oportunismo. Coisas de políticos!



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